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Adélia Privato recebe título de Cidadão Araraquarense em sessão marcada pela emoção

Evento ocorreu na manhã de sábado na Oficina das Meninas, obra social idealizada pela homenageada

Um reconhecimento cheio de gratidão. Assim a vereadora Gabriela Palombo definiu a homenagem prestada à pedagoga Adélia Belotti Privato, que recebeu da Câmara Municipal de Araraquara o título de Cidadão Araraquarense, em sessão realizada no sábado pela manhã, na Oficina das Meninas, obra social idealizada pela homenageada. A indicação foi da vereadora Gabriela e o evento foi acompanhado pelas crianças assistidas pela entidade, seus familiares e convidados.
O primeiro pronunciamento foi de Roberto Privato, filho da homenageada, que interrompeu diversas vezes sua fala, por conta da emoção. Em muitas das pessoas presentes era fácil também perceber lágrimas nos olhos. O seu agradecimento foi para os funcionários e colaboradores da Oficina das Meninas. “Os colaboradores tornaram a vida dela mais fácil de ser levada. A senhora é mestre em nos ensinar a fazer o bem, ensinar a serem pessoas decentes, pessoas compartilhadoras”.
A vereadora Gabriela Palombo falou que a atuação da homenageada é um espelho para a sociedade. “Adélia escolheu trabalhar com projetos e sonhos que transformam a vida das pessoas. A força do seu exemplo tem muito mais força para inspirar as pessoas do que um discurso, um diploma, um nome pomposo na cidade. Vários outros projetos, várias outras ações que melhoram de alguma forma a vida do próximo também têm o seu dedinho”.
Adélia Privato agradeceu também aos educadores e colaboradores da entidade afirmando que mais do ensinar, eles são exemplos para as meninas. “Todos vocês certamente marcaram a vida de muitas meninas, pela exigência, pela amorosidade, pela paciência… na ação educativa transformadora que qualifica o nosso trabalho”.
Ela agradeceu às meninas que atualmente são assistidas pela entidade e as que por lá já passaram. “Agradeço pelo muito que nos ensinaram e também pelo que aprenderam, pelo barulho gostoso, pela alegria que nos ilumina e nos emociona a cada dia com suas conquistas”.  Ao citar as famílias, Adélia agradeceu a confiança que elas tem no trabalho, partilhando a educação de suas meninas. “Assim, nos presenteiam com o brilho desses olhares, que enchem de esperança nossos corações”, disse.
Ela concluiu com um lema adotado pelo serviço, com palavras de Mahatma Gandhi. “A minha fé mais profunda é que podemos mudar o mundo pela verdade e pelo amor”.
Estiveram presentes representantes de vários órgãos ligados à criança, como Eliana Haddad Falque, do Conselho Estadual da Condição Feminina e Noemi Correa, promotora da Vara da Infância, Juventude e do Idoso. A secretária da Educação, Arary Ferreira representou o prefeito Marcelo Barbieri. Ao final da sessão solene as crianças fizeram apresentações teatrais e musicais, em homenagem ao dia das mães.angelicabombarda.com.br-21

A homenageada

Adélia Bellodi Privato nasceu em Jaboticabal no último dia do primeiro do ano de 1936. Passou a infância na área rural, brincando com bonecas feitas de espiga de milho e papelão, e lembra quando dissolveu a sua dando banho no ribeirão. Começou os estudos na escola da fazenda, depois escola pública, magistério e graduou-se em pedagogia na PUC de Campinas. Lecionou em Matão, e após o casamento, em 1962 veio para Araraquara. É mãe dos filhos Roberto, Marta e Mônica. Têm cinco netos.

Atuou no Lar Nosso Ninho, com Abigail Machado Callera e ajudou a fundar o Lar Escola Redenção. Nestes trabalhos passou a nutrir o sonho de poder amparar as mulheres. Conhecia a realidade de famílias pobres, das mulheres que precisavam trabalhar e deixar suas crianças em casa. Em 2002 fundou o Centro Cultural e Assistencial Oficina das Meninas, acolhendo meninas de 6 a 18 anos no contra turno da escola.

A entidade, além de atender as meninas mapeadas pelo sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente, prioriza a inscrição da jovem cuja mãe é a chefe da família, aquela que sustenta a casa e cuida dos filhos. Adélia participa também de conselhos municipais. Escreveu um livro: “Oficina da Vida – Roteiro”. Obra poética com pensamentos das suas meninas. Nas árvores próximas onde ocorria a homenagem havia diversos papéis pendurados com algumas dessas poesias.