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Irmã Edith Costa recebe o 6º Prêmio Heleieth Saffioti

O Mês da Mulher encerrou-se com uma tarde de grandes emoções no Plenário da Câmara Municipal com a entrega do 6º Prêmio “Heleieth Saffioti – Mulher Destaque” nesta sexta-feira (31). A homenageada do ano foi a educadora Maria da Conceição Costa, a Irmã Edith Costa, conhecida e admirada por seu intenso trabalho em prol da alfabetização de crianças e adultos na cidade. Pioneira do Projeto de Educação para Adultos e Jovens de Araraquara (Proeaja), criado por ela em 1999, Irmã Edith teve influência decisiva na vida de pelo menos 10 mil alunos formados desde então, sem contar os tantos outros estudantes, catequizandos, professores e profissionais da área social que encontrou ao longo dos seus 59 anos dedicados à educação.

A vereadora Thainara Faria (PT) presidiu a Sessão. Visivelmente emocionada, ela agradeceu pela oportunidade de prestar a homenagem. “É uma honra sentar-me ao lado da Irmã Edith durante esta Sessão Solene. Este prêmio foi criado para homenagear mulheres que tenham se destacado profissionalmente ou prestado relevantes trabalhos na área social, com o objetivo de valorizar a mulher no contexto da cidadania. É mais do que merecido o reconhecimento a essa pessoa que todos amamos e admiramos”, afirmou.

O prefeito Edinho Silva (PT) declarou que “educador é quem marca a vida da gente”, enfatizando que Irmã Edith faz parte da sua história e recordando que seu trabalho no grupo de jovens da igreja que frequentava o levou a entrar em contato com as necessidades dos indivíduos mais vulneráveis da sociedade, um aprendizado que levou para a toda a vida. “Hoje a cidade faz uma justa homenagem a esta figura emblemática que fez e faz história no nosso município. É graças a ela que Araraquara tem um dos maiores programas de educação de adultos do interior do estado.”

Feliz por encontrar tantos amigos, colaboradores e ex-alunos reunidos, Irmã Edith agradeceu pela dedicação de todos os que, em suas palavras, “lutaram e conseguiram enfrentar todas as dificuldades do trabalho social. Pessoas que vivem para os pobres. Agradeço a todos os que confiaram em mim e deixaram abertas as portas de suas vidas para mim. Eu não saberia onde buscar palavras e onde buscar tanto amor para transmitir a cada pessoa que encontro hoje aqui”. Lembrando o chamado do Papa Francisco I para que os cristãos se envolvam na política e na ação social, fez a todos um convite: “A missão é muito grande. O caminho é muito longo. Mas cabe a cada um de nós seguir. Nós temos que caminhar. Vamos?”.

Compuseram a mesa da Sessão Solene a vereadora Thainara Faria (PT), o prefeito Edinho Silva (PT), a secretária de Planejamento e Participação Popular, Juliana Picoli Agatte, a coordenadora de Políticas Públicas para Mulheres, Amanda Vizoná, e a presidente interina do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Yeda Cassoni. Participaram da solenidade os vereadores Elias Chediek (PMDB), Paulo Landim (PT), Rafael de Angeli (PSDB), Roger Mendes (PP) e o vice-presidente da Câmara Municipal, Tenente Santana (PMDB). Estiveram presentes, ainda, o vice-prefeito Damiano Barbiero Neto (PP), o chefe de Gabinete, Sinval Alan Ferreira Silva, as secretárias Maria Eloisa Mortatti (Assistência e Desenvolvimento Social), Priscila Luiz (Comunicação) e Clélia Santos (Educação), o presidente do Comcriar, Samuel Brasil Bueno, a presidente da Fundart, Gabriela Palombo e a coordenadora executiva de Acervo e Patrimônio Histórico, Fabiana Cristina Virgílio.

A homenageada

Maria da Conceição Costa nasceu no dia 6 de março de 1933, na cidade de Piracicaba. Filha de Bibiano Costa e Sebastiana Silva Costa, tinha três irmãs. Com seis anos e meio, quando estava sendo preparada pelas Irmãs Franciscanas para a 1ª Eucaristia, sentiu sua vocação religiosa. No dia da sua Primeira Comunhão, disse a uma das irmãs que se tornaria uma freira da ordem das Franciscanas. Porém, com tão pouca idade, sua mãe lhe respondeu que ela teria de experimentar um pouco da vida antes de entrar para um convento.

Estudou na Escola de Artes criada pelas religiosas, sem nunca desistir da ideia. Como aprendia piano, seu pai chegou a dizer que lhe compraria um se ela desistisse de ir para o convento. Irredutível, ela sempre respondeu que não. Em 1949, aos 17 anos, entrou para o convento em Araraquara. O hábito religioso foi recebido em 1952, junto com o nome Irmã Edith Costa.

Irmã Edith dedicou 59 anos a transformar vidas, com a formação de jovens e adultos, por meio da educação. Em 1999, iniciou o trabalho com o Projeto de Educação para Adultos e Jovens de Araraquara (Proeaja), tendo como objetivo erradicar o analfabetismo em Araraquara. O projeto começou com uma equipe de 11 professores e funcionários voluntários e 50 alunos no Externato Santa Terezinha, coordenado pelas Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição. Dois anos depois, o Proeaja já contabilizava mil alunos e 50 voluntários. Em 2001, o grupo firmou convênio com a Prefeitura, que trouxe para Araraquara o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (Mova), programa criado por Paulo Freire. Irmã Edith também dá nome ao prédio do Núcleo de Alfabetização de Jovens e Adultos (Neja), da Prefeitura de Araraquara.